<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052</id><updated>2011-04-22T01:18:27.427-03:00</updated><title type='text'>DoCauê</title><subtitle type='html'>Para incitar reflexões e comentar sobre arte, cultura em geral e novidades da vidinha nossa de cada um.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>41</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-115819055623389728</id><published>2006-09-13T20:34:00.000-03:00</published><updated>2006-09-13T20:35:56.256-03:00</updated><title type='text'>FURACÃO</title><content type='html'>Há um furacão rondando a casa. Reforço portas, guarneço janelas, mas o seu assobio lá fora é ameaça!&lt;br /&gt;Há um furacão rondando minha morada mais secreta, querendo irromper-se a ela, fragilizando a memória de minhas fortalezas.&lt;br /&gt;O bicho esturra, ventas acesas, berra sua fúria e de seus olhos chispam medos aterrorizantes. Tremo, mas não vacilo. Essa besta não entra. Se entrar, não encontra nada!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-115819055623389728?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/115819055623389728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=115819055623389728' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/115819055623389728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/115819055623389728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2006/09/furaco.html' title='FURACÃO'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-115083554558143304</id><published>2006-06-20T17:30:00.000-03:00</published><updated>2006-06-20T17:34:48.176-03:00</updated><title type='text'>CANTO II</title><content type='html'>Amar-te a boca, à noite, é desvario&lt;br /&gt;É rio, lavo nele a prece dos meus olhos&lt;br /&gt;E não me lambuzo mais porque a água é pouca&lt;br /&gt;Louca, córrego que não cessa e não sacia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso lambo-me a mão em gesto pleno,&lt;br /&gt;Lleno, teus cabelos com o líquido das vertigens&lt;br /&gt;E virgem sopro de mim a fúria que me engole.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo a liquidez rubra da ferida aberta&lt;br /&gt;Certa, a centelha que me acende e adestra&lt;br /&gt;E saio correndo, perseguindo o musgo que emanas&lt;br /&gt;O latido do corte, o poço escuro, suas margens&lt;br /&gt;Sujas e seu vão possante e nulo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-115083554558143304?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/115083554558143304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=115083554558143304' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/115083554558143304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/115083554558143304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2006/06/canto-ii.html' title='CANTO II'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-115058315523752451</id><published>2006-06-17T19:23:00.000-03:00</published><updated>2006-06-17T19:25:55.240-03:00</updated><title type='text'>Urucubachianas Nº  13 para piano, orquestra e coro – A Espanta Malefícios.</title><content type='html'>Os peidos de Amaral soam  solenes a título de Abertura, uma série de sons entrecortados, alternando longos silvos a pequenos estampidos em semifusas.  Pequenas cuspidelas de um corne inglês com boquilha rota, graciosamente acompanhado por uns estrondosos repiques de tímpano.  O efeito é indescritível. O poeta compõe sua sinfonia escatológica para o deleite da platéia embriagada.&lt;br /&gt; Logo a seguir, a melodia escoa para um ligeiro diálogo com o choro compulsivo de Luciano Correia, lamentoso, sinuoso, cortando o coração das gentes e enchendo as almas com a mais lancinante nostalgia. Um choro de fagote e oboé, que dilacera o peito do jornalista longínquo e enche o ar de uma dor sonora, grave...&lt;br /&gt;O segundo movimento, abre com uma ária de Déda, Mutabile Mutare, um rondó mozartiano, allegro vivace, que contagia.  Composta especialmente para o timbre do barítono, sua voz soa leve, aveludando-se nas notas mais agudas e encorpando-se, cavernosa, nos graves. Deda sola angústias, o efêmero dos dias e o sorriso recorrente dos que seguem. É um canto sinuoso que vem num crescendo e deságua numa marcha triunfal com a entrada do coro, uníssono, fazendo base para o solista. Os violinos trinam, alucinados, suas agudíssimas concordâncias sob o contrito gestual do Spalla Valadares, que dá o mote para as cordas se desatarem em manhosos legatos e delicados pizzicatos. É apoteótico: violas e violoncelos fremem enlouquecidos seus arcos, enquanto, Zé Eduardo no contrabaixo ponteia a melodia com sentenças abafadas. Logo as madeiras se exaltam.  As clarinetas sob o comando de Jackson Barreto atacam sôfregas, fazendo a re-exposição do tema inicial, com diminutos gemidos. Oboés, fagotes e contrafagotes deliram marcando o ritmo da marcha, enquanto Eduardo Almeida pontua, taciturno, enigmáticas pausas. Os metais tinem por trás antecipando um gran finale.  Rosalvo Alexandre é uma imensa tuba marcando ao fundo um fantasmagórico motivo. Os trompetes e as trompas irrompem glamurosos, cavalgando a melodia, as flautas e flautins ressoam leves e Neto dá voz a um trombone soturno.&lt;br /&gt;Aí é catárquico. O coro é uma imensa massa de som. A orquestra inteira converge em tons e motivos e explode num tutti. Nosso solista dialoga com o conjunto numa voz possante: “mutare! mutare!” , vocifera, para a resposta do coro: “mutabile mutare!”&lt;br /&gt;A entrada de Heleno na Harpa dá o sinal para a coda. Ele plange as cordas com graça angelical. A sinfonia cai para o pianíssimo, mas é a vez de Albano, ao piano, fazer virtuoses cerebrais e harpejos indescritíveis. O pianista desliza sobre o teclado como uma patinadora num lago congelado. As vozes já são quase um murmúrio.&lt;br /&gt;Tranqüilo, Edvaldo faz a batuta deslizar no ar, deixando a orquestra em alerta: congela! E o silêncio desce como a noite.  Solitários, na platéia, João e Maria estão petrificados.&lt;br /&gt;Bravíssimo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-115058315523752451?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/115058315523752451/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=115058315523752451' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/115058315523752451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/115058315523752451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2006/06/urucubachianas-n-13-para-piano.html' title='Urucubachianas Nº  13 para piano, orquestra e coro – A Espanta Malefícios.'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-115058294054974974</id><published>2006-06-17T19:20:00.000-03:00</published><updated>2006-06-17T19:22:20.566-03:00</updated><title type='text'>CANTO IV</title><content type='html'>Eu vigio teus passos, cauteloso.&lt;br /&gt;Em silêncio zelo pelo teu errar longínquo&lt;br /&gt;Sei quando cansas e te deixar estar à sombra&lt;br /&gt;Repousando o corpo sobre o próprio rastro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei quando, de novo te animas,&lt;br /&gt;E sinto o pulsar leve de teu sangue&lt;br /&gt;O vigor com que caminhas sobre a neve das gentes,&lt;br /&gt;O calor confortável com que aconchegas o frio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, da guarda desguarneces&lt;br /&gt;E tua tosca couraça dá lugar ao sono breve&lt;br /&gt;Nunca mais temores, jazes indolente&lt;br /&gt;O peito descuidado, a boca murcha, a alma já transida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que nunca te soubestes assim,&lt;br /&gt;E se o sabes, basta, para nunca mais o sê-lo.&lt;br /&gt;Por isso aprisiono essa visão que nunca houve&lt;br /&gt;E esse segredo é o que me faz de ti sempre cativo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-115058294054974974?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/115058294054974974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=115058294054974974' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/115058294054974974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/115058294054974974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2006/06/canto-iv.html' title='CANTO IV'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-114012048930548717</id><published>2006-02-16T17:02:00.000-03:00</published><updated>2006-02-16T17:15:22.266-03:00</updated><title type='text'>Adeus</title><content type='html'>Vi logo no seu olho que já era tarde. Bastou aquela mirada de lado, esquiva, uma recusa em olhar o que fizera. Depois tinha o nervosismo do corpo impondo-lhe contornos desconfortáveis, estrangeiros a quem se acostumou com sua silhueta, com sua diária geografia ... Palavras? Inúteis. Soltou uns grunhidos, tentou umas exclamações sem força. Pra quê? Pra quê, perguntei-lhe, parando o gesto de carinho que ensaiava. Não parou. A lágrima que saltou do seu olho foi quem disse. Adeus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-114012048930548717?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/114012048930548717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=114012048930548717' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/114012048930548717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/114012048930548717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2006/02/adeus.html' title='Adeus'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-113931908257668553</id><published>2006-02-07T10:29:00.000-03:00</published><updated>2006-02-07T10:31:22.626-03:00</updated><title type='text'>Rio da Poesia</title><content type='html'>Por que me cubro com o lençol das palavras,&lt;br /&gt;ainda que tateando o ofício de poeta?&lt;br /&gt;Porque desespero, amigo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou varal ao sol do fim de tarde,&lt;br /&gt;a nostalgia do poente cravado na minha alma,&lt;br /&gt;dissecando o que em mim não cessa de aguar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sangro o enxagüe do corpo, seu retorcer,&lt;br /&gt;o bater nas pedras do meu rio,&lt;br /&gt;a correnteza levando o que não fica,&lt;br /&gt;o que não se consente mais guardar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É neste rio que me lavo, poeta.&lt;br /&gt;Bóio, bato pernas, vou ao fundo,&lt;br /&gt;reviro a lama com os pés e volto,&lt;br /&gt;encho-me do doce dessas águas,&lt;br /&gt;me lambuzando no ventre desse córrego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem mel aqui, amigo, tem mel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-113931908257668553?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/113931908257668553/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=113931908257668553' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/113931908257668553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/113931908257668553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2006/02/rio-da-poesia.html' title='Rio da Poesia'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-113786600973224564</id><published>2006-01-21T14:50:00.000-03:00</published><updated>2006-01-21T14:53:29.806-03:00</updated><title type='text'>Os Resmungos da Casa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é a casa! Cismou com ela e não tem jeito. Há muito vinha resmungando, reclamando dos cômodos, dos desvãos, da sala, da falta de ar e dos ruídos que só ele ouve. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A casa também ouve. Ouve todos esses resmungos e chora baixinho a ingratidão do poeta. &lt;em&gt;Essa é demais!&lt;/em&gt; Exclama ela. De todos poderia ouvir essas asneiras, essa galhofas, essas desonharias, mas dele, não. Quer aventurar-se em retrucar, mas a voz cala num cantinho da cozinha, ali aonde ele não mais a freqüenta, ocupado que está apenas com os novéis sabores... &lt;em&gt;Deixa estar. Diz que vai embora, enrabichou-se por uma papagaia, imagine! Uma papagaia!  E vem dizer que armei... Agora sou eu que não presto! Grande demais pra mim, diz ele, e a vontade que dar é deixá-lo ir. Vai. Vai viver os gradis do ap, nono andar, vista de praia, sobe e desce de elevador, vizinhos mexeriqueiros, crianças revoando nos corredores eo play ground insuportável das manhãs de domingo... Tolo este poeta... Não sabe o quanto me machuca quando diz essas coisas.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O poeta falar em ir e a casa soluça uma dor inaudível, lembra o tempo em que ela o enchia de alegria e ele a tinha na conta de seu único templo, onde reinava absoluto na sua crença nos nadas. Lembra das festas, das algazarras que lhe encheu o ventre de argamassa, dos passos lépidos dos que nunca ousaram tocar o chão, ainda sente o Brilho da cão que veio da Luiz Chaves impregnando o olhar dele e a sua pele, vê a silhueta de um Erê brincando com a luz, e de novo revê a centelha acesa da brasa do seu olho na frente do monitor gritando sua fome de existência... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não vá poeta, não vá! Não vê que a casa és tu? Eu sou apenas estrutura aonde amparo seus queixumes e deixo desabar a contagem dos seus anos e já não sei se sou eu é ele quem envelhece. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não vá poeta, rogo, as amendoeiras já disseram que cerram os ramos à porta impedindo-lhe a passagem. A escada promete ser generosa nas suas ascensões, o quarto começou a exalar o cheiro do último menino que encheu seus lábios de ternura e, vês, mesmo o pesado olhar do profeta Samuel ainda não decifrou direito o enigma de partir. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não vá poeta, que esta casa não sou eu, sou apenas um amontoado de cálculos e probabilidades materiais ocupando o quadrante que é teu, como é teu também o doce luar que se filtra na sua janela, esse marulho longínquo que deixo escapar por entre minhas frestas invisíveis, o ar marinho que intoxica minhas entranhas de óxido e sal e esse maná que serves, com fartura, aos que com você vieram caminhar... Na vá poeta, não vá.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-113786600973224564?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/113786600973224564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=113786600973224564' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/113786600973224564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/113786600973224564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2006/01/os-resmungos-da-casa.html' title='Os Resmungos da Casa'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-113699150174552407</id><published>2006-01-11T11:56:00.000-03:00</published><updated>2006-01-11T12:02:43.126-03:00</updated><title type='text'>DA PERDIÇÃO (ou quatro desatinos)</title><content type='html'>I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para cuidares dessa fome te dou Eu,&lt;br /&gt;Inteiro corpo para a tua dentada,&lt;br /&gt;E osso e carne e sentimento&lt;br /&gt;E tudo mais quanto quiseres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salga-me com tuas maresias&lt;br /&gt;Talha-me com teus pudores e vem,&lt;br /&gt;Boca aberta, dentes afiados&lt;br /&gt;Desfrutar da presa que ganhaste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cavalga sobre a indolência desse corpo&lt;br /&gt;Que já não é meu,&lt;br /&gt;Eu te espero com a paciência das areias&lt;br /&gt;Mudas, recebendo a língua ávida do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sacia-te dessa fome que é de séculos&lt;br /&gt;E repousa manso&lt;br /&gt;Sobre tua vida que rumina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para te perder quero me dar-te&lt;br /&gt;Ancorar-me ao passo teu&lt;br /&gt;Saciando tua sede de mares,&lt;br /&gt;Tua enorme fome de paisagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Singrar teus desejos&lt;br /&gt;Conduzindo-me ao teu lado –&lt;br /&gt;Imediato a bordo dessa nau&lt;br /&gt;Que pensas navegar -.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sombra antecipada,&lt;br /&gt;Proa impetuosa de tua desventura.&lt;br /&gt;Vou seguir varrendo ventos,&lt;br /&gt;Abrindo nuvens para o fulgor dos astros,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abrandando tempestades,&lt;br /&gt;Desmanchando os furacões&lt;br /&gt;Que anseiam por tragá-lo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para querer que fiques vou te ver partir.&lt;br /&gt;Sentir a pontada da tua ida na espinha:&lt;br /&gt;Dor imensurável, desatino e fim.&lt;br /&gt;Mal que agora há de tomar-me a mão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E caminhar comigo sobre a manhã fria.&lt;br /&gt;Gelo que de mim se fez na tua partida,&lt;br /&gt;Inverno a que me sentencio:&lt;br /&gt;Ver-te indo todo dia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se essa cena assim se repetisse&lt;br /&gt;E me tomasse a voz e suspendesse o fôlego&lt;br /&gt;Para outra vez prostrar-me à tua lembrança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para poder te amar vou matar-me antes,&lt;br /&gt;Arrancar de mim esse sopro ansioso,&lt;br /&gt;Essa vontade de ficar eternamente&lt;br /&gt;Esse vestígio de vida que insiste em me tentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despir-me da ilusão do sofrimento&lt;br /&gt;Ungir-me com o teu cheiro,&lt;br /&gt;Vestir-me com a túnica da morte,&lt;br /&gt;E esperá-la!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhar silencioso ao cadafalso&lt;br /&gt;E entregar minha cabeça para o seu punhal.&lt;br /&gt;Não é possível amá-lo estando vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tua essência é éter que não se aprisiona,&lt;br /&gt;Como então devo ser eu a te querer deter&lt;br /&gt;Com esta tola vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para te esquecer vou santificar-te&lt;br /&gt;Sacralizar a tudo que tocares&lt;br /&gt;E te trazer comigo à algibeira,&lt;br /&gt;Preso ao sacrilégio do meu corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amuleto que te faço para minha sorte&lt;br /&gt;Adoração, prece, danação!&lt;br /&gt;Renunciar a todos os santificados&lt;br /&gt;E erigir sobre mim o teu altar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penitência do esquecimento&lt;br /&gt;Essa oração que rezo todo dia,&lt;br /&gt;Inabalado da fé de que és sagrado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-113699150174552407?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/113699150174552407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=113699150174552407' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/113699150174552407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/113699150174552407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2006/01/da-perdio-ou-quatro-desatinos.html' title='DA PERDIÇÃO (ou quatro desatinos)'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-113638700794745700</id><published>2006-01-04T12:02:00.000-03:00</published><updated>2006-01-04T12:03:27.966-03:00</updated><title type='text'>Preciso da sua doçura!</title><content type='html'>O poeta pede-me a doçura que não tenho, alheado ao caos de fel que pulula nas minhas veias. Nas veias só não, já a minha carne imiscuiu-se dele e fede um sal de mil sulfitos avançando sobre todo o organum, comendo as peles dos desejos, a vertigem glandular dos meus sentidos e as portentosas dobras do meu esconderijo, ocupou meus poros com as preocupações dos dias e deixou-me deslizando nos vestígios do que eu supunha ser aquela doçura que me pedes. Foi-se a doçura poeta, manhã cedinho, arrebanhou umas quantas emoções e concedeu-me um beijo descuidado enquanto eu roncava minha ressaca de ressentimentos. Decidiu que comigo não ia mais... Era terna demais pra selvageria de minh'alma e corria o risco de gostar dessa velocidade e perder-se totalmente. Foi pela pura decisão de continuar a ser doce e fazer comigo o contraponto de sua natureza, condenou-me, assim, ao fel absoluto, deixou apenas a lembrança de sua boca na minha, pra que eu nunca esqueça desse açúcar que me embriagou por anos. O que faço sem ela? Desespero! E deixo o fel silenciar-me.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-113638700794745700?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/113638700794745700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=113638700794745700' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/113638700794745700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/113638700794745700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2006/01/preciso-da-sua-doura.html' title='Preciso da sua doçura!'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-113623683741269512</id><published>2006-01-02T18:14:00.000-03:00</published><updated>2006-01-02T18:22:56.860-03:00</updated><title type='text'>SONO DOS ANOS</title><content type='html'>Há certamente uma vontade movendo os meus dias. Há certamente mais dias a mover-se na minha vontade. Mas o que fazer da preguiça dos primeiros dias do ano? Essa sonolência que me toma como se cada ontem tivesse sido a farra definitiva do mesmo revélion? O que fazer com essa surdez do corpo, mouco aos meus comandos de rotina de trabalho? Ele dá de ombro e vira-se pra o lado, negando-me a energia dos expedientes. Que fazer? 2006 começou numa fadiga da gota. Começou o ano, mas eu ainda não. Durmo o sono de 2005. Será uma recusa em recomeçar ou uma pequena pausa nesse calendário que não cessa há quarenta e quatro anos? Sei lá!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-113623683741269512?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/113623683741269512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=113623683741269512' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/113623683741269512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/113623683741269512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2006/01/sono-dos-anos.html' title='SONO DOS ANOS'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-113605342455628789</id><published>2005-12-31T15:23:00.000-03:00</published><updated>2005-12-31T15:23:44.570-03:00</updated><title type='text'>DEUS E O POETA</title><content type='html'>O poeta sabe do seu amor pela estrada. Há muito se deu a ela como um cordeiro num altar de caminhos e só espera o golpe certeiro, a frieza da Lâmina rebuscando seu deus ali dentro,  e é ele , poeta e deus de si mesmo, quem se retorce em regozijo, no eterno sacrifício.&lt;br /&gt;O poeta é o que sofre a faca nas entranhas. Deus é quem goza o prazer de ver-se imolado todo dia.&lt;br /&gt;A estrada só olha-os com uma ternura de séculos e uma compaixão só possível nos homens. Ambos brincam de papéis que desconhecem e nisso vão se fazendo num e noutro poeta e deus da mesma estrada.&lt;br /&gt;Há o que trabalha o verso, reúne palavras para inventar o diário da fantasia e o outro quer ser inspiração, modelo de uma perfeição que sacrifica.&lt;br /&gt;Um caminha acima da estrada, um vento que corre leve sobre ela, movendo intenções e descaminhos, o outro o alcança com menos de um gesto: um vocábulo! Entroniza-o ou o destitui num sopro de voz articulada. Um se quer senhor dos mundos e o outro só anseia a orgia das palavras, imiscuir-se nelas, tomar-lhes o som, confundir-lhes o sentido e estertorar com ranhuras que elas nunca saberão decifrar.&lt;br /&gt;O poeta sabe do seu amor pela estrada. É nela que recolhe o fel dos anos e quase sem querer torna-se deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus se olha no espelho e vê o poeta, reinando sobre emoções e sentimentos, um mundo que ele só achava possível em sua divindade.&lt;br /&gt;O poeta olha o espelho e só encontra palavras. Desconsola-se: O que fazer com palavras quando é tamanha sua fome?&lt;br /&gt;Experimenta-as, morde, arranca-lhes pedaços e vai devorando cada naco que elas lhe concedem. O poeta não sabe mais se sacia nelas. Elas sabem que seu destino é esse, saciar a boca dos poetas e por isso se entregam fartas e saborosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus não vê sentido nenhum nessa voragem, concebeu seu mundo numa ordem onde não cabe ao homem devorar palavras. Ao homem cabe devorar outro homem e assim tem sido deste os primeiros tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sabor que o poeta arranca das palavras fere o senso de deus e sua ordem interior.&lt;br /&gt;Deus e poeta cavalgam juntos, buscando desesperados conhecer a natureza do outro, como se ali estivesse a explicação de suas próprias existências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto se buscam fazem a estrada e deixam sobre o mundo um rastro de leis e versos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus esqueceu-se por completo e o poeta apenas lembra vagamente que no começo era o verbo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-113605342455628789?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/113605342455628789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=113605342455628789' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/113605342455628789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/113605342455628789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2005/12/deus-e-o-poeta.html' title='DEUS E O POETA'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-112863516629047256</id><published>2005-10-06T18:44:00.000-03:00</published><updated>2005-10-06T18:46:06.293-03:00</updated><title type='text'>COMIDA, DIVERSÃO &amp; ARTE</title><content type='html'>O que faz uma senhora de setenta anos, vestir uma roupa extravagante, colocar um chapéu todo enfeitado de adereços e ir pra rua mover-se ao som de alguns tambores, num ritmo e numa vitalidade que quase nunca é a mesma que ela demonstra na rotina dos seus dias de dona de casa  e avó? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que será que move a uns quantos jovens a transformarem as vicissitudes de suas adolescências, e do horizonte periférico onde moram, em matéria de criação para suas canções algumas vezes ininteligíveis e barulhentas? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E outros, a se recolherem no silêncio de seu isolamento para consumir canetas e papéis num diálogo absurdo com o mundo e consigo mesmo, prenhes de solidão, quando  não a arrancar figuras e cores de um universo que vive aprisionado em suas cabeças e gritam desesperados por sair, ou mesmo a inventar gestos e nomes que dão vazão a uma sede explícita de expressão? Como é grande essa sede em nosso povo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pra que tudo isso? Por que essa gente vive abrindo mão de algum conforto material e imaterial, de algum convívio social, familiar, para lançar-se numa seara, muitas vezes incompreendida e censurada, mais das vezes desprezada. Por que para além das necessidades do corpo essa gente busca um alimento pra alma, como se lhes fosse de todo impossível continuar vivendo sem essa hóstia da emoção?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É dessa emoção que quero falar, do entusiasmo do momento da criação, da emoção de poder emocionar que toma conta do artista no instante preciso em que ele faz fluir uma energia que não se explica nos intrincados cálculos da física e ainda repousa longe dos mistérios que a psicologia pensa que desvendou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se por um lado há essa sede de criar, por outro, uma outra fome explica e justifica essa criação e lhe dá sentido coletivo e temporal. Há quem precisa criar e há quem precisa da criação, sem que tais papéis se cristalizem numa ou noutra posição indefinidamente. Porque também é enorme a sede de arte em nosso povo. Mesmo que não haja ainda uma consciência disso e outras necessidades se imponham ao viver diário das gentes turvando-lhes o desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ninguém será realmente cidadão sem que essa dimensão esteja contemplada, num ou noutro caso, afinal nunca poderemos nos reconhecer verdadeiramente se não tivemos a chance de expressar ou não tivemos a chance de emocionar-nos nessa expressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é assim que nos fazemos homens e cidadãos pelo diapasão da arte e da cultura, uma como necessidade de expressão intrínseca ao homem, uma e outra como condição para a plena cidadania.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-112863516629047256?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/112863516629047256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=112863516629047256' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/112863516629047256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/112863516629047256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2005/10/comida-diverso-arte.html' title='COMIDA, DIVERSÃO &amp; ARTE'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-112863505296072913</id><published>2005-10-06T18:41:00.000-03:00</published><updated>2005-10-06T18:44:12.966-03:00</updated><title type='text'>AUSÊNCIA</title><content type='html'>Curioso, vendo-o assim, indiferente ao vozerio que se fechou em torno dele, buscando-o num semidesespero, poderia jurar que quase nada mais lhe interessa. Desapegou-se de todo das coisas terrenas, se quer saber mesmo, o seu ouro agora está sob si, na tosca forma dessa rede onde balouça seu cansaço e sua outrora irremediável crença na humanidade. Desfez-se de tudo. Ermitão que se entrega ao zelo do pensar, só pensar, não fraqueja mais aos memorandos das fomes e das sedes, nem se deixa encilhar por seus iguais em carne e espírito, aliás, deles abdicou também. E a estrada que era o móvel do seu maior interesse, fechou-se numa encruza. Seguir não pode, ou melhor, não quer. O mais longe, esse pêndulo que a rede descreve sobre o chão e nenhum côvado adiante. Batem-lhe à porta, sabe, ouve distante este tinir de aldravas, mas nem se mexe, é uma sonolência de Cinderela, de quem, há pouco, despediu-se em Boa Noite. O roupinol do poeta dissolvido no cálice de suas memórias e por mais que lute pra acordar, foi tomado por uma letargia, uma semi-inconsciência contábil a lhe conferir os dias, os amores, as vilezas, os prazeres, os vestígios de um cheiro que ficou na infância, o som de uma primeira risada, quando sequer sabia o que era riso, e a surpresa de ouvir-se assim, de novo tão menino e feliz. Impede-lhe o passo uma tonelada de anos, uma exaustão de séculos, o peso do Fuji, do Kilimanjaro, da Mantiqueira, dos Órgãos em cuja planície, um dia, descobriu o irmão do seu sorriso numa boca fêmea, numa boca rubra, molhada, labiosa, funda. Ah, vontade de retornar a essa boca rumorosa, enfurnar-se lá dentro como no primeiro dia e ir voltando à doçura do ventre, à fecunda manhã em que se abriu ao fantástico mundo interior e ficar lá, ouvindo uma batida pelo lado interno da porta. É esse chamado que quer atender, que quer acompanhar, que quer unir ao seu chamado interior, inaudível e desesperançado... "Eu sou sozinho, já disse que sou sozinho" e esse calor, esse aconchego, esse conforto, esse gozo de existência, o que será? Essa rede que envolve meu corpo, esse desespero ao lado, a gritaria, esses meus olhos que não cessam de ver sem enxergar?&lt;br /&gt;− Curioso, vendo-o assim, indiferente a tudo, poderia jurar que adormeceu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-112863505296072913?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/112863505296072913/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=112863505296072913' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/112863505296072913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/112863505296072913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2005/10/ausncia.html' title='AUSÊNCIA'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-112846567377974935</id><published>2005-10-04T19:40:00.000-03:00</published><updated>2005-10-04T20:01:58.023-03:00</updated><title type='text'>IMAGINE !</title><content type='html'>Elvira Eldorado é uma preta, velha, tem setenta e dois anos. Todo sábado, descansada do almoço, lá pelas três, ela sai de casa com seu passo miúdo, sacola na mão levando um tesouro. Um vestido de cores e estampa extravagantes, um punhado de colares de contas variadas e um chapéu trabalhado com enfeites kitch, que ela nem sabe o que é, mas que é, na linguagem dos dias de agora, vistas pelos olhos de quem gosta de lê. &lt;br /&gt;D. Elvira não gosta de lê, mal assina o nome. D. Elvira gosta mesmo é de dançar. Passa a tarde toda saracoteando no terreiro de seu Jorge. Ela e as meninas da sua idade.  D. Elvira dança, brinca, sacode absurdamente o corpo como se fosse uma menina de 13 anos e é essa menina mesma que ela vê quando brinca, lembrando do terreiro varridinho de sua avó quando ela era menina moça. Mas a avó agora é ela. Naldinho, seu neto, vê a avó sair todo sábado e pergunta pra onde ela vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— &lt;em&gt;Vou brincar&lt;/em&gt; — Responde D. Elvira, com risinho sapeca.&lt;br /&gt;— &lt;em&gt;Como é que a Vó numa idade dessas ainda vai brincar?&lt;/em&gt; — E Naldinho fica intrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naldinho não sabe, mas Elvira é uma criança como ele, lá no íntimo. Nunca deixou que suas dores fossem maiores que ela. Isso não. Nem o suplicio de casar e viver pobre com três filhos para criar, nem a doenças que levou metade da família, nem os dias de fome, um jejum involuntário que ela passou com paciência e sem perder o gosto pela vida.&lt;br /&gt;No terreiro de seu Jorge, quando Elvira não vem a alegria é menor. Ela tem um jeito de dançar, um jeito de cantar que todos sabem que é especial. E é mesmo. Elvira é dessas pretas que traz um pedaço da África no corpo e uma brasilidade que se foi formando nos anos. Elvira olha seu Jorge com um olhar travesso e o velho não se contém. Tivesse o mesmo vigor dela, agarraria essa preta agora mesmo, na frente de todos, e encheria ela de beijos. Mas Elvira vira o olhar, já está puxando outra cantiga, fazendo uns sons coma boca que ninguém consegue imitar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Janis X mal chega em casa e se tranca no quarto em que ele o irmão dormem. O irmão que se vire. Ele fica ali ouvindo suas músicas barulhentas, suas letras ininteligíveis, um fone no ouvido impede a que a casa vá abaixo. Não adianta sua mãe chamar, nem dizer que vai levar ao médico, nem ouvir os conselhos da vizinha sobre as esquisitices do filho. Janis X vive o seu mundo de melodias e imagens que ele cria na cabeça.&lt;br /&gt;Depois vai pra Lan house e fala com o mundo todo, escreve poemas que ele não sabe, mas que flagra o mundo e o seu tempo, faz um diálogo absurdo com o cosmo e consigo mesmo tentando entender quem é, de onde vem e pra onde vai. Não adianta! Gasta toda a grana em horas seguidas de internet e quando sai da Lan continua com as mesmas dúvidas de quando entrara, mas falou muito com todos e descobriu que o doido não é só ele. &lt;em&gt;O mundo tá cheio de doido!&lt;/em&gt; Descobre surpreso e alegre, um sentimento de par, de alguém mais conviver com essa sensação de merda que lhe toma de vez em quando.&lt;br /&gt;Adora sexo virtual, fica curtindo uma minas nuas, bucetas arreganhadas, cuzinhos à mostra, seios de vaca... Adora imaginar-se chupando esses seios, mas muda de pensamento, pois logo lhe vem a imagem da mãe amamentando-o e isto corta seu barato e ele se acha mais doido ainda... &lt;em&gt;Não! Com mamãe não dá!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;De vez em quando entra nuns site gays e disfarça que é só de sacanagem, mas no fundo no fundo sente que é mais, tem alguma coisa ali que lhe atrai... Puta que pariu! É melhor voltar para o Nirvana...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Jackson disse ao pai que ia entrar num grupo de teatro o velho quase engasgou. Velho não, que o cara só tem 40, mas tema cabeça dos ancestrais. O menino leva jeito pra o teatro, tem o corpo delgado, uma silhueta que por pouco não chega ao feminino, mas trejeitos não. Nada dessa frescura de viadinho novo querendo dar, sem nenhum preconceito.&lt;br /&gt;Jackson gosta mesmo é de viver outras pessoas, outras gentes, outras línguas, sabe que tem dentro de si milhões de seres querendo dar passagem ao mundo e que ele pode ser o porta-voz dessa torrente que lhe toma quando lê uma frase e sabe que alguém falou por ele.&lt;br /&gt;Elvira, Janis X, Jackson são personagens fictícios, mas trazem consigo verdades que existem em cada esquina em cada bairro em cada cidade.&lt;br /&gt;Tem mais. Tem muitos outros, cinéfilos, pintores, bailarinos, poetas, músicos, atores, palhaços, malabaristas, estranhos, taciturnos, inadequados, rodados, pinguços...&lt;br /&gt;Todos eles sentem uma enorme sede de expressão e ficam tristes quando sublimam o impulso que lhes dariam vôo ou quando uma vez vislumbrado o impulso, não têm como voar. Há um deles, certamente, pertinho de você. Ou em você. Eles podem estar disfarçados de um sem número de idéias e esquisitices. Não ligue.&lt;br /&gt;Agora, imagine botar tudo isso pra fora. Imagine!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-112846567377974935?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/112846567377974935/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=112846567377974935' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/112846567377974935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/112846567377974935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2005/10/imagine.html' title='IMAGINE !'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-112846243365786203</id><published>2005-10-04T18:45:00.000-03:00</published><updated>2005-10-04T18:47:13.690-03:00</updated><title type='text'>BAFO DAS MUDANÇAS</title><content type='html'>Ando sentindo o bafo das mudanças tentando me envolver no seu fumo espesso. Sinto seus miasmas evolando-se do chão aonde piso e invadindo minhas narinas em busca do que em mim desespera por romper-se. Um cansaço extremo do bom mocismo me incita a caminhar com ele, com essa fedentina, imiscuir-me no insondável de sua cor, seguir no halo desse olor e ir até onde ele possa me levar. Encarar a canalhice, a vileza, o mau humor crônico, o fel dos dias, a pestilência das suas supurações. E o seu cheiro! Deixar as narinas entorpecer-se deste bafo e até gostar de sua quentura fétida. Mas reencontrar-me aí, onde a pureza se evadiu. Buscar meu tecido exangue, meu cromossoma mais original - o mal - desvelá-lo, dar-lhe nova guarida na minha alma e fazê-lo pulsar de um prazer medonho. Descobrir o fóssil dessa minha primeira estrutura corpórea e regozijar-me ante a sublime contemplação desse deus que me habitou sem que eu tivesse a consciência dele. Entregar-me totalmente ao seu comando. Despir-me dos últimos traços da decência e afundar na escuridão desse universo. Salteador que habita as sombras das ruas desoladas, inquilino insone de crimes hediondos, encarnação da perversidade, maquinador de golpes, sofrimentos, causador das dores mais terríveis, mais doídas, ser que se compraz com choro, o grito de terror, e se alimenta do medo que as almas exalam quando mortas em desespero. Ai, que gostosa iguaria! Essa, que saboreio da boca da minha própria vítima, arrancando de seus lábios esse estupor delicioso, esse assombro que me extravasa em êxtase, esse frêmito orgástico, esse pavor divino! Quem dera ter sido sempre assim, quem dera ter-me entregue desde sempre a essa natureza maligna e ter-me convocado infinitamente para o mal, anjo que descobre sua outra face luminosa e abdica da ilusão de claridade em que viveu. Face que se volta para trás em busca de outra divindade e recusa o idílio de uma paisagem inexistente... Só há liberdade aqui! Longe desses olhos que anseia controlar minha natureza interior e me censura o gesto, o gozo e a fala plena. Só há liberdade aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-112846243365786203?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/112846243365786203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=112846243365786203' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/112846243365786203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/112846243365786203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2005/10/bafo-das-mudanas.html' title='BAFO DAS MUDANÇAS'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-112741452782650095</id><published>2005-09-22T15:40:00.000-03:00</published><updated>2005-09-22T15:42:07.826-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;ESFINGE&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Quando quis te ver&lt;br /&gt;foi a  mim mesmo que fitei&lt;br /&gt;colado que estava a tua essência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me olhei e te vi,&lt;br /&gt;Desnuda,&lt;br /&gt;abrandada das angústia dos dias,&lt;br /&gt;siamesa da minha solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E só então percebi:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abre-te em enigma.&lt;br /&gt;Sorriso antecipando&lt;br /&gt;O beijo ou a mordida.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-112741452782650095?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/112741452782650095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=112741452782650095' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/112741452782650095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/112741452782650095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2005/09/esfinge-quando-quis-te-ver-foi-mim.html' title=''/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-112741444198996262</id><published>2005-09-22T15:39:00.000-03:00</published><updated>2005-09-22T15:40:41.990-03:00</updated><title type='text'>RÓI O TEMPO</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Rói o tempo ao meu redor  com seus dentes pontiagudos. Rói-me e a sensação não é de dor, nem de prazer... roer-me assim é sua vontade máxima e me entrego a essa fagia com a calma de quem já dominou o medo de seguir... na verdade fui indo sempre, avançando contra esses dentes gulosos, contra essa ferocidade dócil, porque às vezes não sei mesmo se são eles quem me roem ou eu que os vou devorando em minha passagem. Vida sem isso não existe mais ou faz sentido, pois já tornou-se o móvel de si, o eterno retorno, ação que quando deflagrada já não se pode mais parar, bala zunida pela ânsia do gatilho, som articulado que enumera a palavra já pronunciada, dita, mesmo que a boca agora silencie e recolha, inútil, seu próprio som. Rói-me o tempo em sua voragem madura, seca, rígida,  sincopada e eu me entrego a suas ranhuras, suas engrenagens que se auto devoram, trôpegas. Elas querem a mim como eu as quero também, pois é grande minha fome de saber-me para além de mim, para além do tempo, dessa própria comilança a que me sentencio. Eu devoro o tempo e ele a mim, promíscuos, enlaçados numa sina sem rédeas, inertes a quaisquer leis que ousem querer nos comandar. Vem o tempo e eu vou a ele como a folha que o encontra sempre, a cada estação,  para o seu balé de outono. Vai o tempo e venho eu, perseguidor, inebriado pelas fragrâncias que só ele me reserva e só eu consigo percebê-las. Ficamos assim enganchados um ao outro. Ele com sua fúria de passagem e eu impregnado de sua eterna rota.  &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-112741444198996262?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/112741444198996262/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=112741444198996262' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/112741444198996262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/112741444198996262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2005/09/ri-o-tempo.html' title='RÓI O TEMPO'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-112741429855473543</id><published>2005-09-22T15:35:00.000-03:00</published><updated>2005-09-22T15:38:18.556-03:00</updated><title type='text'>INTERNU MOTU</title><content type='html'>Quando começo a passar a vida em revista acho que estou perto de morrer. Isso me aflige momentaneamente. Desfaço os pensamentos e tento sair desse balanço, às vezes moral, que me intercepta a cabeça com força contábil.&lt;br /&gt;Hoje acordei pensando nos meus amantes e nos meus amores. Um a um desfilei a imagem daqueles que por certo tempo foram responsáveis por gozadas extraordinárias e a quem, por certo tempo, eu fiz feliz sexualmente em longas jornadas de amor e ternura. Cheguei à conclusão de que não posso reclamar. Tive muitos amores, muitos homens especiais que dividiram comigo a infâmia de amor esquivo, mas profundamente inevitável a eles e a mim. E tive também mulheres sensacionais. Moças que tiveram a coragem de olhar por cima do muro e me descobrirem lá, flagrando-me na minha mais absoluta nudez. De  corpo e de alma. Acho que foram as mulheres que mais me conheceram pelo que sou. Alguns homens arriscaram, mas uma barreira imposta por mim mesmo talvez, ou por eles, impediu-os de irem adiante.&lt;br /&gt;As mulheres são mais voluntariosas e obstinadas. Viram a mim como muitas vezes nem eu mesmo ousei me ver, ou tive coragem para tal. Mas elas invadiram meu território, amazonicamente, e me fizeram dissipar um par de asneiras que eu mantinha sobre mim como forma de me ocultar de mim mesmo. Talvez por isso a minha relação com as mulheres nunca tenha ido verdadeiramente à frente e, no caminho, eu tenha sempre atalhado pelo fim, pelo afastamento ou pelo desvio. Sei que fiz sofrer muitas delas, incapazes, aí sim, de compreenderem tais reações. É que quando uma mulher vê um homem na sua inteireza, pensa que o tem só por conseguir vê-lo. Mas não. Um homem não se aprisiona assim. Aliás, quase nunca se deixa ficar realmente. Às vezes mente para si e passa a desempenhar um papel semelhante ao que elas anseiam, mas certamente guardam no fundo da alma a idéia marota de que, se quiserem, podem ir-se a qualquer instante. Não podem. Às vezes ficam para sempre, mas é absolutamente essencial que acreditem nisso.&lt;br /&gt;As mulheres que me olharam de perto e conseguiram me ver, me quiseram. Isso é realmente um grande consolo. Elas me quiseram assim mesmo, prenhe de defeitos e confusões e exageros e segredos. E talvez tenha sido justo isso que me fez desistir delas: o fato de me quererem. Penso muitas vezes que sou avesso ao carinho e ao querer. Jogo comigo um jogo inútil e doloroso de renegar o desejo do outro e exasperar-me ante qualquer vestígio de rejeição. Não suporto a rejeição. Ela dói mais que qualquer coisa. Força-me a um estado de completa nulidade e eu preciso desesperadamente saber-me de algum valor para continuar existindo. Senão, pra que viver?&lt;br /&gt;Alguns homens chegaram perto de conhecer-me, mas nunca deixei que eles atravessassem essa última barreira. Não consigo viver sem um vestígio de mistério a me marcar, uma silhueta difusa a confundir os olhos e os sentidos, um meneio de corpo que surpreenda a intenção do outro de conhecer, seguro, a minha rota. Foi por isso que me forjei à solidão para a qual sempre havia me preparado: essa extrema vontade de permanecer – numa razoável dimensão – desconhecido ao outro.&lt;br /&gt;Divago: Será que na verdade não quero ficar desconhecido a mim mesmo? Pode ser. Ou pode ser apenas uma vontade de não ter limites, de seguir por caminhos que eu jamais esperei trilhar e quando o fundo do poço houver batido na minha cara, ter forças para ir mais adiante, ainda que seja para os lados, ou até mesmo regressando. Não creio que eu seja totalmente desconhecido para mim, mas diviso lugares ainda sombrios, zonas para as quais ainda não me aventurei. Se tenho medo disto? Claro! Não é fácil conviver com esse arrojo irrecuperável.&lt;br /&gt;Mas também não saberia viver com a cartilha na mão. Não, isso nunca! Farta-me um viver comezinho, tido e havido. Um viver aonde eu mesmo não possa me surpreender. Por isso é que nem todos os homens e mulheres do planeta conseguirão me fazer feliz. Porque a felicidade é uma espécie de receita preestabelecida para a qual todos querem correr loucamente, inventando fórmulas, adágios e trambicagens. Quando botei o pé naquilo que supunha ser felicidade, fui tomado por uma náusea insuportável e vomitei.&lt;br /&gt;A felicidade requer talentos para os quais não estou apto. Paciência é um deles. Ser feliz tem a ver com ser paciente e ir descobrindo essa matéria nas coisas que nos cerca, ir formatando ela para o tamanho da vida que temos e fazendo disso sonhos que supomos ser inéditos ou legítimos. A paciência foge de mim como um cão da carrocinha. Também não abro mão dos meus instintos, nunca faria isso à minha ancestralidade mais remota. Festejo com eles cada arroubo, cada frêmito, como se de novo estivesse livre na savana, correndo, encurralando um animal ou espreitando avidamente uma fêmea. Ou um macho!&lt;br /&gt;Quando abrir mão dos meus instintos saberei que estou próximo da morte, como agora, quando fecho para balanço. Mas não me entrego. Deleto essa insuportável dose de reflexão, reservo-a para outros dias. Não vale à pena morrer nessa tarde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-112741429855473543?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/112741429855473543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=112741429855473543' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/112741429855473543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/112741429855473543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2005/09/internu-motu.html' title='INTERNU MOTU'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-112741414363543909</id><published>2005-09-22T15:34:00.000-03:00</published><updated>2005-09-22T15:35:43.636-03:00</updated><title type='text'>FACA</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Essa faca que sentes na garganta, sinto-a também, sua lâmina fria, sua cintilância que encanta e amedronta, seu gume que espreita a hora de se fazer parte de minha alma. Mas não vejo a mão que a segura. Sei que é firme e de sua intenção não há que iludir-se. É arma e seu destino quer cumprir sua natureza de morte, de golpe, de desvario. Ela brinca comigo, passeia pelas costas contando minhas vértebras, se demora um pouco no cóccix e desce lenta sobre a montanha das minhas nádegas, dança com meus pelos, eriça-os suavemente, é prazer ou terror? Depois sobe voluptuosa em busca de outras reentrâncias, faz como meu caminho até as minhas casas, minhas cidades, meus países. Por vezes crava-se um pouco na carne, deixa-se enterrar devagarinho, nada mais que uma incisão na epiderme dos meus sonhos e vejo-a retirar-se molhada, limpando seu suor sobre meu corpo. Essa faca lateja, às vezes percorre sôfrega o desenho de minha boca, como se ansiasse um beijo nunca tido. Meu Deus, que pesadelo! Quando penso que ela se foi, um risco de luz pelo canto dos olhos me diz de sua presença silente, e quase posso ver seu riso metálico. Ela me sustenta, respiração presa, fôlego suspenso, anos a fio nessa tensão... e a faca lá, enfurecida, descansando em minha própria mão...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-112741414363543909?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/112741414363543909/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=112741414363543909' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/112741414363543909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/112741414363543909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2005/09/faca.html' title='FACA'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-112741408819132934</id><published>2005-09-22T15:31:00.000-03:00</published><updated>2005-09-22T15:34:48.193-03:00</updated><title type='text'>CAVALGANDO COM A MORTE</title><content type='html'>Não é ela quem funga no meu cangote, um sopro cálido e fedorento, boca podre de tanto comer gente, não. Sou eu quem sopra esse hálito humanamente desprezível e ela geme, se contorce, não suporta conhecer o de dentro dos que tem que devorar. Na verdade não sabe que o faz, aproxima-se das gentes e tudo já se consumou. Nem escorceia, sequer, segue veloz, mas ritmicamente marcando o compasso dos minutos nos quais minha vida se esvai... Ela os conta, como se debulhasse seu infinito rosário de instantes ceifados, suas contas de risadas, gritos de pavor e prazer que ela saboreia como se disso se fizesse ela, de vida - paradoxo de quem não se conhece- . Se não soubesse de seu malino ofício diria que ela chora baixinho no galope que encerra minha cavalgada  e como sabe que é meu último trafegar, me concede pensar nessas tolices, rindo disso&lt;br /&gt;Esses humanos são mesmo um bando de imbecis!&lt;br /&gt;Fungo mais forte e ela se arrepia com meu hálito de morte. É quente o couro dessa besta, besta não, que sua aparência nem de longe desperta essa imagem, é suave, brandura de uma carne morna que me excita em seu contato com minha pele nua. Se eu pudesse, foderia ela agora, sua cloaca de lavas, suas dobras de musculatura... Ela geme novamente antecipando o gozo que esse pensamento lhe causa e revira os olhos para cima, olhando pra mim como um cão pedindo carinho... Ela me deseja, eu sei, tá nos seus olhos, tem uma ponta de ânsia feminina na sua mirada, mas é tarde... Vou ter que deixar essa trepada para a próxima existência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-112741408819132934?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/112741408819132934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=112741408819132934' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/112741408819132934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/112741408819132934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2005/09/cavalgando-com-morte.html' title='CAVALGANDO COM A MORTE'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-112741387929801961</id><published>2005-09-22T15:29:00.000-03:00</published><updated>2005-09-22T15:31:19.306-03:00</updated><title type='text'>MARX VENCEU DE NOVO!</title><content type='html'>E Marx ganhou de novo! O velho Karl Marx, depois de haver sido declarado morto dezenas de vezes, ressuscitou. Agora com status de maior filósofo de todos os tempos, e mais, atestado pelos sisudos ingleses, através da conservadoríssima BBC de Londres que escutou seus milhares de ouvintes em entrevista e o resultado foi surpreendente.            &lt;br /&gt;Marx ganhou de lavagem, como dizemos no Brasil: 28% dos votos, derrotando figuras como David Hume, que com 12,7% dos votos ficou em segundo lugar, Wittgenstein, em terceiro, Nietszche, em quarto e mais uma constelação de homens que iluminaram o pensamento da humanidade do quilate de Platão, Kant, São Tomás de Aquino, Sócrates, Aristóteles e até Karl Popper.           &lt;br /&gt;Quem imaginaria! Sobretudo após a queda do Leste Europeu, Marx caiu em desgraça definitiva para a grande maioria da intelectualidade do mundo inteiro. Suas teses começaram a ser refutadas sob quaisquer desculpas. Fukuyama decretou o fim da história, a economia capitalista de mercado foi elevada a status de Lei universal em sintonia com a democracia liberal.           &lt;br /&gt;“Marx está superado” diziam eles e proclamavam as teses do neoliberalismo como um marco do novo pensamento filosófico da modernidade. Estávamos na era regida pelo Consenso de Washington e o pequeno ciclo de expansão da economia dos EUA nos anos 90 parecia confirmar isso.           &lt;br /&gt;Mas o mesmo Marx, hoje redivivo, já havia assinalado que a história só se repete como tragédia ou como farsa e bastou que as crises do capitalismo prosseguissem, como ocorreu no mundo inteiro, desmontando nações e destruindo economias aparentemente sólidas, que as “jurássicas” análises do autor do manifesto comunista, mais uma vez, vieram à tona para atestar o que o velho filósofo alemão também já dissera, que o capitalismo é um sistema de crises cíclicas e que vive delas.           &lt;br /&gt;Mais, que a relação entre o caráter social da produção das riquezas e o caráter individual de sua apropriação na sociedade capitalista é uma contradição insuperável até que tal apropriação torne-se também coletiva.  &lt;br /&gt;O que chama a atenção é que Marx é apontado como maior filósofo de todos os tempos justamente no país berço do liberalismo, em tempos de Tony Blair.           &lt;br /&gt;Ocorre que, à guisa de “modernizar” o marxismo ou substiruí-lo, muito contrabando filosófico foi produzido, aproveitando-se de princípios ou axiomas do marxismo, mas com a clara intenção de negá-lo ou superá-lo.           &lt;br /&gt;Como filosofia indissociável da realidade tangível vivida pelos povos, o marxismo segue sendo a melhor e mais eficiente análise do capitalismo e o diagnóstico mais perfeito de seus traços contraditórios. Ainda que relutem alguns, conceitos como luta de classes e mais valia continuam atualíssimos e o marxismo ainda é o melhor instrumento para a compreensão do mundo contemporâneo.           &lt;br /&gt;Talvez seja chegada a hora de dar razão a Satre quando ele se refere ao marxismo como sendo “a filosofia insuperável do nosso tempo”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-112741387929801961?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/112741387929801961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=112741387929801961' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/112741387929801961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/112741387929801961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2005/09/marx-venceu-de-novo.html' title='MARX VENCEU DE NOVO!'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-111322564902425412</id><published>2005-04-11T09:53:00.000-03:00</published><updated>2005-04-11T10:20:49.026-03:00</updated><title type='text'>ERRO</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Há certamente um momento em que é preciso parar.  Depois de um acúmulo de  coisas que vão se amontoando sem nenhuma ordem ou razão, é preciso dar um tempo e observar com acuro a massa disforme que se entulha a nossa frente, muitas vezes atrapalhando nossa passagem ou retardando nosso ritmo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Como é possível sermos displicentes ao ponto de deixar que tudo isso aconteça nas nossas barbas sem que tomemos uma atitude mais ativa para impedir.?&lt;br /&gt;Aí quando chega ao um limite insuportável, lá vamos nós contabilizar o passado e rever a negligência.&lt;br /&gt;Parece até que gostamos disso, desses balanços episódicos, como se fosse impossível para nós controlar no dia a dia a causa e efeito das ações que praticamos. Ou será que é ássim mesmo, só conseguimos enxergá-las numa perspectiva temporal, quando seu acúmulo resulta incômodo para nós?&lt;br /&gt;Parece ser exasperante medir e controlar o que fazemos na hora mesma de fazê-lo ou - ainda melhor - antes mesmo de fazê-lo. É como se precisássemos de uma certa dose de "irresponsabilidade" no fazer, talvez até para preservar um quê de espontâneo e livre no que  realizamos e assim poder nos vermos realmente como donos das nossas decisões. Ou será que estamos mesmo fadados ao erro?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-111322564902425412?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/111322564902425412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=111322564902425412' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/111322564902425412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/111322564902425412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2005/04/erro.html' title='ERRO'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-111100258399352676</id><published>2005-03-16T16:46:00.000-03:00</published><updated>2005-03-16T16:49:43.996-03:00</updated><title type='text'>UMA SENHORA DE ESQUERDA</title><content type='html'>Tingida pelo tom avermelhado da maioria de suas principais opções política nas últimas décadas, Aracaju chega aos 150 anos com uma inequívoca vocação para a esquerda e  privilegiando principalmente, nos processos eleitorais, projetos políticos de característica mudancista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como se ela se tivesse feito guardiã de idéias que cada dia tornam-se mais raras, preservando em seu corolário de cidade coisas como ideologia, compromisso, ideais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda hoje chama a atenção aos que estudam a trajetória da esquerda no país, o fato de que nos anos 40, no pequeno período que o partido comunista viveu na legalidade e lançou candidato a presidente, tal candidato, Iedo Fiúza, tenha obtido vitória em apenas duas capitais, em Manaus e, claro, na nossa querida Aracaju.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também inquestionável é o papel que Aracaju consolidou em Sergipe, de ser centro difusor de influência política para todo o estado, capaz de catapultar, regionalmente, lideranças de perfil urbano, cujo raio de ação sempre se circunscreveu à área da capital. Várias lideranças que ainda comandam a cena política do presente tiveram esta trajetória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a Aracaju que sabe glorificar projetos mudancistas também não se deixa iludir com desacertos de conduta política. Muitos partidos e políticos sofreram dissabores por abandonar o leito progressista,  tergiversarem  no projeto de mudanças ou, alheios à fria realidade, criarem caminhos artificiais para seus planos. A cidade que premia, também pune.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, nos seus 150 anos de história, essa senhora de esquerda acalanta na cidade um projeto novo, resultado de uma ampla aliança em torno de uma jovem liderança – o prefeito Marcelo Deda - e um jovem partido que se construíram nas refregas da complexa conjuntura local e nacional e muitas vezes nos revezes desta. Enquanto nina e consolida este cenário, Aracaju vai gestando outros desafios, outros caminhos, outras possibilidades, outros vôos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acostumada que está a projetar sonhos e apostar na história para vê-los realizados, essa senhora não pára.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-111100258399352676?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/111100258399352676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=111100258399352676' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/111100258399352676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/111100258399352676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2005/03/uma-senhora-de-esquerda.html' title='UMA SENHORA DE ESQUERDA'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-111100231948502786</id><published>2005-03-16T16:42:00.000-03:00</published><updated>2005-03-16T16:45:19.486-03:00</updated><title type='text'>LUNÁTICO</title><content type='html'>Sou assumidamente lunático. Melhor diria, literalmente lunático. Não posso ver uma lua no céu que algo dentro de mim desanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez, na praia de pajuçara, em Maceió, fui tomado por uma sensação inexplicável. Era lua cheia, o céu estava aberto, havia o lençol do mar dizendo sons intraduzíveis e a coisa foi crescendo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi algo tão forte que me lembro até hoje com um nítido sentimento. Era misto de euforia e alegria, de uma felicidade vinda de não sei onde, uma conjugação com o entusiasmo e uma gratificante vontade de viver. Naquele momento, seguramente, eu me senti como um semi deus, como se houvesse, por um brevíssimo instante, compreendido o mistério da vida e decifrado o enigma da eternidade. Era como ver a face de Deus naquele astro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais ainda. Era como se ele houvera me convidado para ver-Lhe, me enchendo de uma ternura incompreensível. Mais tarde, quando me deparei com a astrologia, conheci que entre os prognósticos astral estava minha ligação com esse corpo celeste, regente do canceriano que os meados de julho produziu. Não era preciso que tal doutrina confirmasse nada. Minha ligação com a Lua já havia sido feita há anos, cerzida por um tecido de intangível, como se os fios do luar houvesse me prendido para sempre na contemplação dela, uma espécie de Prometeu azulado a quem se lhe revelaram o segredo de compartilhar o universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje ainda é assim... Ela sabe o que provoca em mim e afeta-me tiranamente, matizando um caleidosdópio nortuno que me desorienta. Subverte as leis do possível e inventa formas que não cabem no plano cartesiano da minha existência, antes me projeta para outras dimensões. É noite e ela espreita. Agora mesmo quando escrevo, sinto o roçar leve de seus raios querendo me alcançar, vejo-a meter-se entre paredes, divisar portas em busca do meu olhar cúmplice e cativo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não dá outra. Corro pra janela e deixo ela viver em mim, mais uma vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-111100231948502786?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/111100231948502786/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=111100231948502786' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/111100231948502786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/111100231948502786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2005/03/luntico.html' title='LUNÁTICO'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-110972081646961102</id><published>2005-03-01T20:45:00.000-03:00</published><updated>2005-03-01T20:46:56.473-03:00</updated><title type='text'>FIM DOS DIAS</title><content type='html'>Me consola saber que esse fastio é tempo em que absorvo uma seiva que depois me explode em euforia. Me consola saber que, ao final, não me resignarei a ser lixo, e vou varrê-lo da minha vida. É verdade que sempre fica um pouco de lixo em tudo e talvez, no futuro, esse acúmulo lento é que termine matando a todos. A humanidade atolada em meio a sujeira da sua própria vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não haveria causa mais nobre pra uma morte: o lixo.&lt;br /&gt;O lixo de cada existência se virando contra nós e nos cobrando uma conta que a gente nem se deu conta de dever. Mas que deve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece coisa do catolicismo: o acúmulo de pecados nos livrando do fardo do corpo terreno e nos libertando da aventura terrenal, para o céu ou o inferno. Depende da cota de lixo, ou da falta dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se Deus agüentaria uma pessoa sem pecado ao seu lado, afinal, depois de conviver com a humanidade como ele convive, duvido que ele não tenha se contaminado um pouco com a nossa parte suja. Se é que ela não tenha vindo justamente Dele e nós é que viemos limpando a humanidade ao longos  de todos esses anos. As guerras, as vilezas, a maldade, os crimes hediondos, tudo de uma origem divinal. Tudo imaculadamente vindo Dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso compreender o limite da bondade suportando atitudes como as nossas, sobretudo a onipotência. Era só apontar um dedinho e Buuummm! Lá se ia  a vileza baixar noutra freguesia.&lt;br /&gt;Ah! Deus é realmente um sujeito misterioso. Porra, como Deus é estranho! Cara , não sei como ele se suporta afinal. Aliás, não gostaria de estar por perto quando ele resolver fazer um balanço da sua vida, muito menos quando entrar numa crise existencial. Nossa! Que babado forte vai ser! Aquele homenzarrão (sim, porque a gente só pensa nele primeiro como homem, depois como grande) chorando pelos cantos do universo, tresloucado, uma dor imensurável no peito, a cabeça cheia de dúvidas, cheia de inquietações, se perguntando quem sou eu? De onde vim? Pra onde vou? Vai ser de lascar. E nós ali, a humanidade toda como cordeirinhos, dizendo que é isso mesmo, que a vida é assim mesmo, que isso passa, que a gente tem de seguir em frente, que é preciso ter fé em Deus (sic).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí ele funga umas quantas vezes mais, concorda com a gente, e segue pela vida sendo nossa eterna dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Humanos, Bah! Humanos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-110972081646961102?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/110972081646961102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=110972081646961102' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110972081646961102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110972081646961102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2005/03/fim-dos-dias.html' title='FIM DOS DIAS'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-110960584484539269</id><published>2005-02-28T12:47:00.000-03:00</published><updated>2005-02-28T12:50:44.846-03:00</updated><title type='text'>PALAVRAS</title><content type='html'>Há homens que são do tamanho de suas palavras e outros que têm a medida exata dos seus silêncios... Há homens que falam muito, mas não saem da mesma palavra e outros que ao silenciar dizem todo um vocabulário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há palavra que esperam ávidas a hora de imiscuir-se na boca dos homens e outras que fogem, loucas, da aventura humana, desumanas demais para calarem na boca de qualquer um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pessoas que passam a vida nas interjeições, espantam-se com o mundo como se a cada dia o descobrisse novel e renovado. Outros amargam o tédio do conhecido horizonte ao seu redor, incapazes de qualquer surpresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pessoas que brincam com as palavras, reúne-as em poemas, versos, histórias mirabolantes, romances emocionais. Outras, fazem delas um ofício de legista, dissecam-nas, classificam-nas, expõem-nas em categorias, muitas vezes absurdas, pelo prazer de vê-las assim, expostas. Sua fendas mais secretas abertas, escancaradas em relações de sintaxe, simbiose, causalidades...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pessoas que vivem de palavras e há os que morrem delas, morrem por elas e às vezes até, morrem para elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pessoas que costumam solenizar seu trato com as palavras, recolhem-nas cheios de salamaleques e se desfazem em reverências... supõem uma autoridade que elas sequer percebem de si, e prostram-se diante delas como num culto monoteísta... Já outros, simplesmente, desrespeitam-nas olimpicamente... Sequer tomam conhecimento de qualquer vestígio de origem, etimologia vernacular ou neologístico... Sequer as olham de frente, passam ao lado, usam-nas descaradamente para suas necessidades mais basilares e depois deixam-nas de lado, como uma prostituta que já recebeu o sêmem rápido e ansioso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há homens que precisam das palavras para existirem, outros, somente existem nelas... nas intrincadas franjas dos vocábulos...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-110960584484539269?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/110960584484539269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=110960584484539269' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110960584484539269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110960584484539269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2005/02/palavras.html' title='PALAVRAS'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-110934569587259318</id><published>2005-02-25T12:32:00.000-03:00</published><updated>2005-02-25T12:34:55.873-03:00</updated><title type='text'>ESPÓLIO</title><content type='html'>Ainda me pergunto como, mas acabei encontrando, perdido na net, um pedaço do meu antigo Blog. O restante, não tem jeito, perdeu-se irremediavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, do que consegui encontrar, vou republicar o que ainda é atual. É o mínimo que posso fazer por mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-110934569587259318?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/110934569587259318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=110934569587259318' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110934569587259318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110934569587259318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2005/02/esplio.html' title='ESPÓLIO'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-110934553147099798</id><published>2005-02-25T12:28:00.000-03:00</published><updated>2005-02-25T12:32:11.473-03:00</updated><title type='text'>GASTURA</title><content type='html'>Sempre tive problemas de entendimento do termo "Gastura", apresentado a mim, 24 anos atrás quando encarei a, naquele tempo, ainda mais pacata e pequena Aracaju.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei de través a pessoa que me fez ouvir pela primeira vez o termo, mas como as palavras - até as mais duras - têm o poder de irem ficando suaves pelo costume da audição, essa também foi compondo meu vocabulário auditivo, até que passou a ser ouvida sem sobressaltos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca fui de pronunciá-la, até porque seria render-me à nova vida, na nova cidade, de onde eu esperava, na ingenuidade dos meus 19 anos, poder retirar-me, tão logo cumprisse os deveres acadêmicos que aqui me trouxeram. Nada.A gastura me tomou de vez, auditiva e verbalmente. Me peguei diversas vezes não só pronunciando-a, mas já fazendo flexões verbo-nominais: gasturado, gasturento... E não só isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma palavra começa realmente a habitar uma pessoa não apenas quando lhe seduz à pronúncia, mas quando ela encontra na sua vida uma dimensão cujo significado tem nela, nessa tal palavra, seu efetivo sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi isso que aonteceu comigo. A "gastura" encontrou em mim uma maneira de realizar-se plena. Deixou de ser apenas um termo e ganhou sentido, na acepção literal do termo.&lt;br /&gt;Pior que isso! Desbancou outros termos que ocuparam solenemente minha vida durante anos e assenhorou-se da significação que os mantinha em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais! Ganhou sentido existencial e físico. Passou ao status de substantivo.&lt;br /&gt;Vez em quando sinto uma "gastura".Não é nada comparado ao enjôo com o qual é comumente confundida. É um sopro do tempo me avisando de algo que ainda não entendi direito o que é, mas que pela insistência, só posso supô-lo grave e irremediável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já pensei tratar-se do esvaziamento do ar vital que segura minha vida... Talvez seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor. Dói menos pensar que é gastura...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-110934553147099798?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/110934553147099798/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=110934553147099798' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110934553147099798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110934553147099798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2005/02/gastura.html' title='GASTURA'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-110919470964906280</id><published>2005-02-23T18:35:00.000-03:00</published><updated>2005-02-23T18:38:29.653-03:00</updated><title type='text'>TUDO NORMAL</title><content type='html'>O país já começou! Cedo desta vez, existem anos que só conseguimos engrenar em meados de março, mas esse 2005 promete. Devemos repetir a velha receita de normalidade a que, mesmo com certo  estranhamento, vamos refinando nosso paladar.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mandaram bala à sangue frio numa freira, lá pras bandas do Pará. A pobre moça saiu do conforto dos seus EUA para se embrenhar nas matas brasileiras e defender os pobres. Não deu outra, Boooom! Tomou um tiro no peito de um desses fazendeirinhos ou grileiros que abundam no Norte e que pensam que são dos donos de todas as terras que ali tem.&lt;br /&gt;Lá se foi dona Dorothy Stang se encontrar como o Senhor. Menos mal, neste aspecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais ao centro do país, Severino rouba a cena e vira estrela nacional. Uma estrela non gratta, é verdade, sem o tom adequado à constelação em evidência, mas, fazer o quê? No telescópio da política surpresas é o que não faltam. Tudo normal, afinal de contas nenhuma normalidade se sustenta sem umas turbulências eventuais. E o Nordeste ganha o Senado e a Câmara de lambuja. Agora falar de discriminação com o nordestino é tolice. O nem-tão baixo clero vive finalmente (?) seu momento de glória, com direito a adesões solenes, e ainda por cima dá ao país uma formidável contribuição para o humor nacional. Só rindo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar em turbulência, essa semana foi a vez do velho Chico. Solicitado como nunca mais havia sido nos últimos anos, ele desaguou milhares e milhares de metros cúbicos de água sobre o revolto movimento contra a transposição, uma verdadeira tsunami nordestina - sob o comando da Chesf - afogando militantes, políticos, criadores e cientistas. E tem prefeito ameaçando processar o rio por ele ter reavido,  à tromba d’água, seu território antes invadido por singelas orlinhas municipais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como falta de segurança é quesito pétreo em qualquer normalidade nacional e local,  o indefeso IHGS – Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, apesar da grandiloqüência do nome, passou pelo vexame de ter sua sede arrombada e roubada por alguns meliantes que, felizmente, ignorando as preciosidades históricas ali guardadas, limitaram-se a recolher do local um drive de computador, uma pequena soma em espécie, um relógio e um aparelho de som. Ufa! Já pensou se fossem desses gatunos letrados, que estrago! Mas não, nossa memória histórica, graças a Deus, desta vez não foi violada, e poderíamos até dizer até que continua intacta, não fosse o embaraçoso registro da própria ocorrência. Normal, continuamos a contar com a sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem tudo é tragédia. Assim como o Rio de Janeiro, nós já temos o nosso piscinão, ele fica na orla da Atalaia, num lugar pomposamente intitulado de região dos lagos e vem sendo chamado de Piscinão do João por ter sido construído pelo governo do Estado, na reforma que está sendo feita na praia. Há, entretanto,  quem aposte que pela quantidade de coliformes fecais a que o local está fadado, brevemente será conhecido como pinicão.&lt;br /&gt;No mais, são filigranas - que sem elas a gente também não vive.  Mais um concurso, desta vez, o realizado pela Prefeitura de Nossa Senhora do Socorro, entra em suspeição e ameaça ser totalmente anulado. A Mônica e o Xambu dão adeus à terrinha e nos deixam um pouco mais órfão. Aracaju quer chegar logo nos seus 150 anos, doida pra entrar na farra. A Fênix chamada Antônio Carlos Magalhães foi eleito presidente da poderosíssima Comissão de Constituição e Justiça – CCJ do Senado Federal. Normal. A Assembléia Legislativa daqui também elegeu os seus.  No Teatro Atheneu, um outro espetáculo besterol com ares de teatro faz a graça da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais normalidade do que isso vai virar tédio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-110919470964906280?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/110919470964906280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=110919470964906280' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110919470964906280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110919470964906280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2005/02/tudo-normal.html' title='TUDO NORMAL'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-110839584680137549</id><published>2005-02-14T12:25:00.000-03:00</published><updated>2005-02-14T12:44:06.803-03:00</updated><title type='text'>QUE MASSADA!</title><content type='html'>Lá, no início do século passado, entediado com sua existência e a dor do mundo que lhe pesava exaustivamente, Fernando Pessoa exclama em Lisboa Revisistada: "... &lt;em&gt;Ah, que massada quererem que eu seja da companhia!..." &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoa tinha lá suas razões para esse tédio e fez dele um motivo pra sua profícua existência literária. Que extraordinários são esses seres humanos que conseguem transmutar suas vidas a partir de coisas que lhe aturdem como o cansaço do mundo,  a dor, o tédio, o amor, o ciúme e tantas outras coisas que deram origem a um patrimônio inigualável da raça humana,  que pouco a pouco, na medida que foi se construindo foi também modelando o homem e seu pensamento, sua existência, sua humanidade mesmo, de modo a torná-la inseparável desse legado construído; afinal, se somos humanos, e assim podenos nos chamar, é também por esse imenso cabedal que  erguemos quando lidamos como nossas arrogâncias e fragilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aí, certamente, que nos descobrimos humanos, ou foi por aí que descobrimos parte da humanidade que nos faz gente,  ou mesmo dimensões que vieram compor magistralmente o ato de existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O foda é sentir todas essas coisas  - o tédio, por exemplo -  assim como Pessoa e não conseguir fazer dele nada realmente digno,  a não ser acumular e chorar o cansaço por sentí-lo, irritar-se por isso e, claro,  ficar palermamente achando o mundo inteiro uma grande bosta, evitando constatar que, talvez,  na verdade a grande bosta seja você. E só você, mano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, pra tentar compensar, você vai ao seu blog e escreve essa sua incapacidade de lidar com o tédio.  Tudo isso com ares confessional. Bom, ao menos para um post isso serve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Que merda!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-110839584680137549?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/110839584680137549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=110839584680137549' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110839584680137549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110839584680137549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2005/02/que-massada.html' title='QUE MASSADA!'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-110606243274478750</id><published>2005-01-18T13:25:00.000-03:00</published><updated>2005-01-18T12:33:52.743-03:00</updated><title type='text'>HÁ VAGAS</title><content type='html'>No meu ombro, na minha mão, nos meus olhos, na minha voz, no intrincado dos neurônios, no cinzento da massa cefálica... Há vagas para os amigos descansarem a cabeça, paciência para ouvir a eles e a seus choramingos. Há paciência para entendê-los e fazê-los mais próximos porque a dor aproxima os que se amam; e há vagas para o consolo das mãos quando elas tremem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aconselhável talvez fosse não amar, mas que fazer... Ele vem de qualquer jeito, vem sem avisar, sem alertas nos cismógrafos... Ele vem. Deixar vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico pensando que precisamos amadurecer o maor que sentimos, mas amaor maduro talvez não seja amor... Pode ser qualquer coisa, mas, talvez, não amor. Amor mesmo desorienta, frustra, acalma também, e fode nosso juízo, que porra!Mas é assim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não vivemos sem ele, esse danado do amor. Sempre queremos ele, sua possibilidade, pelo menos. Ele nos ronda e nós deixamos. Sentimos sua falta quando ele se distancia, é como se somente negando-o pudéssemos tê-lo e é assim que ele faz conosco seu jogo secreto e perverso. Apodera-se de nós, negando-nos a ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem perde é quem não ama. Perde, porque sempre vamos poder encontrar alguém a quem  amemos com a mesma intensidade , mas quem não ama nunca vai poder sentir isso, o fogo de estar amando. E quando vier a aprender que o melhor da vida está em amar talvez já seja tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem ama,  não.  Vai continuar saudável,  florescido, rebrotado. No seu tempo de amante.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-110606243274478750?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/110606243274478750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=110606243274478750' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110606243274478750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110606243274478750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2005/01/h-vagas.html' title='HÁ VAGAS'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-110495561733113478</id><published>2005-01-05T16:27:00.000-03:00</published><updated>2005-01-05T17:06:57.330-03:00</updated><title type='text'>MADALENA</title><content type='html'>Finalmente descobriram Madalena. Outra vez, quero dizer! Agora pelos insondáveis signos do código Da Vince e virou moda. Uma euforia que recoloca essa mulher misteriosa e presente no ceistianismo, no centro de uma vida que ela talvez tenha tido realmente, avolumada em prestígio e importância pelo seu par contemporâneo, ou seja, o próprio Jesus Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madalena foi quase banida pela Igreja, restando-lhe o abjeto papel de prostituta arrenpendida e outros contornos de um perfil pouco edificante que lhe tornaram tolerada entre o Cânone, assim mesmo, por tornar-se exemplo do ato  do arrependimento - único caminho que 0 catolicismo pôde encontrar para materializar a máxima de seu Deus Uno: O perdão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristo condicionou o perdão ao arrependimento ou fez dele um ato sublime, divino e humano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os Evangelhos apócrifos falam de Madalena e o de Felipe é o mais vasto. Ali, ela é esposa de Jesus e tinha com ele uma vida marital normal para a época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito que estudiosos do munod inteiro pesquisam e concluem por essa vida conjugal de Jesus e que o casal teve filho. Uma das revelações pouco comentafdas é que jsutamente o apóstolo João é, em verdade, filho deles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há indcios para isso. Em seu evangelho, João se diz o discípulo mais amado. Por que?  Num ambiente de igualdade que jesus tanto preservava, por que alguém se auto intitula o mais amado entre todos eles, senão por uma laço familiar que o distinguia dos demais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, lembram-se da cena do calvário quando, já pregado na cruz, Jesus chama à Maria e como que apresentando-o a ela diz, algo como, &lt;em&gt;"Mulher, eis aí o teu filho de agora em diante.&lt;/em&gt;  E dirigindo-se a ele, diz, &lt;em&gt;"Filho, eis aí tua mãe&lt;/em&gt;" !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os estuddos sobre Madalena vão mais longe do que simplesmente retratar uma vida amorosa de Jesus. Não esqueçam que a ela foi dado o privilégio, sim, privilégio de ver o Senhor ressuscitado. Foi ela que ao visitar sua tumba e encontrá-la vazia, deparou-se com o Cristo Hortelino e constatou sua ressurreição. Por que a ela? Que importância ou ligação com Jesus teria essa mulher para que ele a escolhesse como a anunciadora daquilo que no cristianismo é a sua pedra angular: a  fé na ressurreição.   Por que não outro apóstolo? Pedro, Felipe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a Lei Judaica, todo pai tinha para com o filho, pelo menos três obrigações legais: Ensinar-lhe a Lei - &lt;em&gt; E José o fez a Jesus&lt;/em&gt; .  Ensinar-lhe uma profissão - &lt;em&gt;Ele também o fez.&lt;/em&gt;  E por último, arranjar-lhe uma esposa. Por que seria justamente neste item que José, um seguidor convicto dos costumes e leis, negligenciaria com o seu filho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para os que se dedicam ao tema, Madalena, entretanto, é mais. Não é apenas uma companheira de Jesus, mas uma nova Eva, com quem o divino selou uma nova aliança de amor e redenção da humanidade. É ela o verdadeiro santo graal. Não o cálice  da aliança onde Jesus bebeu o vinho, mas o cálice onde ele depositou o seu vinho, seu sêmem, seu sangue e selou uma nova fase na vida dos homens. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;São questões que vêm sendo debatidas ao longo de diversos anos sem que a Igreja se pronuncie acerca delas. Agora, talvez, com a febre que o livro &lt;em&gt;O Codigo Da Vince &lt;/em&gt;vem causando e toda a redescoberta que vem projetando sobre o verdadeiro papel de Maria de Magdala na vida de Jesus de Nazaré, pode ser que seja tempo de recolar este personagem no devido lugar que ocupa no panteão dos personagens da história, resgatando a figura feminina no cristinaismo e aproximando mais a mulher do centro de idéias ali geradas, e nãpo mais na coadjuvância - se tantpo - a que foi condenada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-110495561733113478?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/110495561733113478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=110495561733113478' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110495561733113478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110495561733113478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2005/01/madalena.html' title='MADALENA'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-110303527400521137</id><published>2004-12-14T11:35:00.000-03:00</published><updated>2004-12-14T11:41:14.006-03:00</updated><title type='text'>PASSO</title><content type='html'>Outro passo se gestando na minha anatomia, não apenas o levar da perna adiante, projetando o corpo para frente,  enquanto sustentado pela outra. Mais que isso, um deslocamento mental, o aninhar da cabeça num conhecido colo geográfico, uma paisagem familiar se devisando enquanto a outra dissipa-se rapidamente.&lt;br /&gt;É uma sensação terrível! Ansiedade, medo, entusiasmo e dúvida. A velha dúvida, como sempre, comandando...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-110303527400521137?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/110303527400521137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=110303527400521137' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110303527400521137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110303527400521137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2004/12/passo.html' title='PASSO'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-110234792148510671</id><published>2004-12-06T13:30:00.000-03:00</published><updated>2004-12-06T12:45:21.486-03:00</updated><title type='text'>NATUREZA</title><content type='html'>E a cobra abre violentamente a boca e abocanha a própria cauda. Dói, mas ela não grita. É sua sina morder-se assim desde que se compreendeu, desde que compreendeu que é dessa forma que se refaz, que vira o tempo e subverte a noção de espaço. Quanto mais finca seus dentes na própria carne mais se sabe humana e besta. Ela venera esse eterno retorno a si como quem se banha na chuva para realcançar os doces da infância. Não se quer mais adulta ou velha. A cobra se quer menina e de renovado veneno, letal e doloroso. Morde a si e aquilo que parecia fim vira início, começo de um ontem inacabado, cheio de expectativas. É difícil esse labor de retornar ao de dentro e defrontar-se com a aspereza de si, mas ela o faz, rasteja-se todo dia para o seu mais completo íntimo e se flagra bandida, canalha, se flagra ingênua e bondosa, com todas as ranhuras do tempo - aquelas que só se consegue às custas de muita porrada! Sibila sobre si seu mantra diário: Recomeço! Recomeço! Recomeço...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai por que não finda logo esse parto de si? Por que não se desmancha já que a dor é tanta e tão temível?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Natureza, irmão, natureza. Como é que se vai poder ir de encontro a natureza?&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-110234792148510671?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/110234792148510671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=110234792148510671' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110234792148510671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110234792148510671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2004/12/natureza.html' title='NATUREZA'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-110175731253022720</id><published>2004-11-29T16:37:00.000-03:00</published><updated>2004-11-29T16:41:52.530-03:00</updated><title type='text'>ENTARDECER</title><content type='html'>Abraça-me, ó tarde,&lt;br /&gt;Teus longos braços plenos&lt;br /&gt;De uma nostalgia que só existe aos domingos,&lt;br /&gt;Quando o sol acha de baixar seu brilho&lt;br /&gt;E uma luminescência tênue é o que resta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sinto esse abraço terno,&lt;br /&gt;Como se morrer fosse assim,&lt;br /&gt;Ser tomado docemente por braços invisíveis.&lt;br /&gt;Um afago, um carinho,&lt;br /&gt;Um leve roçar de seda na pele nua&lt;br /&gt;E já não estamos mais aqui,&lt;br /&gt;Pairamos num limbo&lt;br /&gt;Entre uma claridade que não se foi de todo&lt;br /&gt;E uma escuridão que ainda exala luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é isso, senão, o teu abraço, tarde?&lt;br /&gt;Uma vontade desesperada de morrer.&lt;br /&gt;Morrer eternamente, sem funeral, choro, círios...&lt;br /&gt;Rituais que insistem em nos reter&lt;br /&gt;Quando já deveríamos ter ido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo de morrer absoluto&lt;br /&gt;Apagar qualquer vestígio de que se houvera vindo aqui&lt;br /&gt;Simplesmente retirar tudo:&lt;br /&gt;Essência, cheiros, risos,&lt;br /&gt;Traços de uma felicidade ilusória&lt;br /&gt;Que nos sustentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morrer absolutamente é inexistir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem lembranças, nem presságios.&lt;br /&gt;Ausência total do que ficou&lt;br /&gt;Sem direito a reencarnar ou virar fantasma.&lt;br /&gt;Simplesmente morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para sempre.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-110175731253022720?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/110175731253022720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=110175731253022720' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110175731253022720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110175731253022720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2004/11/entardecer.html' title='ENTARDECER'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-110175700268770405</id><published>2004-11-29T16:33:00.000-03:00</published><updated>2004-11-29T16:36:42.686-03:00</updated><title type='text'>A CIDADE EM MIM</title><content type='html'>A cidade salta pra meus olhos&lt;br /&gt;engarrafando meu espectro de visão&lt;br /&gt;Carros, ruas e um cortejo de tipos que&lt;br /&gt;Anseiam dar sentido a ela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toma-me como uma lembrança antiga e chata&lt;br /&gt;Como algo ruim que queremos esquecer&lt;br /&gt;Mas que volta à mente, renitente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho essa sensação e não consigo pensar-me fora dela,&lt;br /&gt;Meu corpo transformado em avenida,&lt;br /&gt;Exalando o dióxido dos autos,&lt;br /&gt;um suor de chuva no asfalto,&lt;br /&gt;Uma doideira de rush de meio dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade sequer adormece em mim.&lt;br /&gt;Grita a noite toda a solidão dos noturnos,&lt;br /&gt;Dos insones,&lt;br /&gt;Dos amantes mais infames,&lt;br /&gt;Dos adultérios das madrugadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ressaca das manhãs com aspirina.&lt;br /&gt;E a eterna cefaléia!&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-110175700268770405?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/110175700268770405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=110175700268770405' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110175700268770405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110175700268770405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2004/11/cidade-em-mim.html' title='A CIDADE EM MIM'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-110157538656756793</id><published>2004-11-27T14:00:00.001-03:00</published><updated>2004-11-27T14:13:12.776-03:00</updated><title type='text'>ESTRANHOS</title><content type='html'>É difícil olhar-se e ver-se realmente. Uma barreira salta sobre os olhos no momentos de nos vermos a nós mesmos e terminamos vendo o que interiormente já construímos de nós.&lt;br /&gt;Ainda que nossa imagem nos grite a sua existência material, sua competude corpórea e real, a imagem interior é mais forte, porque construído de sentidos e é nela que nos vemos quando pensamos em nós. E se dizemos um nome, o nosso nome, é essa imagem de dentro que responde e não esse estrangeiro que nos olha no espelho. E é só fechar os olhos para confirmar: a familiaridade dessa presença, o som da sua voz, o jeito dos seus pensamentos e as secretas senhas com que nos codificamos. Somos esse eu interior e a ele rendemos nossa existência, indiferentes à imagem que supõe ser-nos.&lt;br /&gt;Ah, quão distante ainda estamos de nós mesmos...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-110157538656756793?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/110157538656756793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=110157538656756793' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110157538656756793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110157538656756793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2004/11/estranhos.html' title='ESTRANHOS'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-110157484500515122</id><published>2004-11-27T14:00:00.000-03:00</published><updated>2004-11-27T14:00:45.006-03:00</updated><title type='text'>Decisão</title><content type='html'>Vou para de inventar solidão. Tomar vergonha na cara e parar de falsificar carências para justificar desatinos.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-110157484500515122?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/110157484500515122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=110157484500515122' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110157484500515122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110157484500515122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2004/11/deciso.html' title='Decisão'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-110147961362208289</id><published>2004-11-26T11:29:00.000-03:00</published><updated>2004-11-26T11:33:33.623-03:00</updated><title type='text'>HURRA!</title><content type='html'>Depois da frustrante experiência de ter perdido os textos no Mblog e ter ficado um par de meses fora da comunidade virtual, volto agora, pelas mãos amigas e milagrosas do rafael galvão (aliás, vale a apena visitá-lo) que me criou este novo Blog. Não posso deixar de expressar minha alegria com esta volta. O Blog me inspira, me incita a escrever e creio que, no silêncio da rede, está criando algo que reverberará fundamente no futuro. E eu não quero pereder este estrondo. às visitas!&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-110147961362208289?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/110147961362208289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=110147961362208289' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110147961362208289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110147961362208289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2004/11/hurra.html' title='HURRA!'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-110147936543861774</id><published>2004-11-26T11:26:00.000-03:00</published><updated>2004-11-26T11:29:25.436-03:00</updated><title type='text'>INTERNU MOTU</title><content type='html'>INTERNU MOTU&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando começo a passar a vida em revista acho que estou perto de morrer. Isso me aflige momentaneamente. Desfaço os pensamentos e tento sair desse balanço, às vezes moral, que me intercepta a cabeça com força contábil.&lt;br /&gt;Hoje acordei pensando nos meus amantes e nos meus amores. Um a um desfilei a imagem daqueles que por certo tempo foram responsáveis por gozadas extraordinárias e a quem, por certo tempo, eu fiz feliz sexualmente em longas jornadas de amor e ternura. Cheguei à conclusão de que não posso reclamar. Tive muitos amores, muitos homens especiais que dividiram comigo a infâmia de amor esquivo, mas profundamente inevitável a eles e a mim. E tive também mulheres sensacionais. Moças que tiveram a coragem de olhar por cima do muro e me descobrirem lá, flagrando-me na minha mais absoluta nudez. De corpo e de alma. Acho que foram as mulheres que mais me conheceram pelo que sou. Alguns homens arriscaram, mas uma barreira imposta por mim mesmo talvez, ou por eles, impediu-os de irem adiante.&lt;br /&gt;As mulheres são mais voluntariosas e obstinadas. Viram a mim como muitas vezes nem eu mesmo ousei me ver, ou tive coragem para tal. Mas elas invadiram meu território, amazonicamente, e me fizeram dissipar um par de asneiras que eu mantinha sobre mim como forma de me ocultar de mim mesmo. Talvez por isso a minha relação com as mulheres nunca tenha ido verdadeiramente a frente e, no caminho, eu tenha sempre atalhado pelo fim, pelo afastamento ou pelo desvio. Sei que fiz sofrer muitas delas, incapazes, aí sim, de compreenderem tais reações. É que quando uma mulher vê um homem na sua inteireza, pensa que o tem só por conseguir vê-lo. Mas não. Um homem não se aprisiona assim. Aliás, quase nunca se deixa ficar realmente. Às vezes mente para si e passa a desempenhar um papel semelhante ao que elas anseiam, mas certamente guardam no fundo da alma a idéia marota de que, se quiserem, podem ir-se a qualquer instante. Não podem. Às vezes ficam para sempre, mas é absolutamente essencial que acreditem nisso.&lt;br /&gt;As mulheres que me olharam de perto e conseguiram me ver, me quiseram. Isso é realmente um grande consolo. Elas me quiseram assim mesmo, prenhe de defeitos e confusões e exageros e segredos. E talvez tenha sido justo isso que me fez desistir delas: o fato de me quererem. Penso muitas vezes que sou avesso ao carinho e ao querer. Jogo comigo um jogo inútil e doloroso de renegar o desejo do outro e exasperar-me ante qualquer vestígio de rejeição. Não suporto a rejeição. Ela dói mais que qualquer coisa. Força-me a um estado de completa nulidade e eu preciso desesperadamente saber-me de algum valor para continuar existindo. Senão, pra que viver?&lt;br /&gt;Alguns homens chegaram perto de conhecer-me, mas nunca deixei que eles atravessassem essa última barreira. Não consigo viver sem um vestígio de mistério a me marcar, uma silhueta difusa a confundir os olhos e os sentidos, um meneio de corpo que surpreenda a intenção do outro de conhecer, seguro, a minha rota. Foi por isso que me forjei à solidão para a qual sempre havia me preparado: essa extrema vontade de permanecer – numa razoável dimensão – desconhecido ao outro.&lt;br /&gt;Divago: Será que na verdade não quero ficar desconhecido a mim mesmo? Pode ser. Ou pode ser apenas uma vontade de não ter limites, de seguir por caminhos que eu jamais esperei trilhar e quando o fundo do poço haver batido na minha cara, ter forças para ir mais adiante, ainda que seja para os lados, ou até mesmo regressando. Não creio que eu seja totalmente desconhecido para mim, mas diviso lugares ainda sombrios, zonas para as quais ainda não me aventurei. Se tenho medo disto? Claro! Não é fácil conviver com esse arrojo irrecuperável.&lt;br /&gt;Mas também não saberia viver com a cartilha na mão. Não, isso nunca! Farta-me um viver comezinho, tido e havido. Um viver aonde eu mesmo não possa me surpreender. Por isso é que nem todos os homens e mulheres do planeta conseguirão me fazer feliz. Porque a felicidade é uma espécie de receita preestabelecida para a qual todos querem correr loucamente, inventando fórmulas, adágios e trambicagens. Quando botei o pé naquilo que supunha ser felicidade, fui tomado por uma náusea insuportável e vomitei.&lt;br /&gt;A felicidade requer talentos para os quais não estou apto. Paciência é um deles. Ser feliz tem a ver com ser paciente e ir descobrindo essa matéria nas coisas que nos cerca, ir formatando ela para o tamanho da vida que temos e fazendo disso sonhos que supomos ser inéditos ou legítimos. A paciência foge de mim como um cão da carrocinha. Também não abro mão dos meus instintos, nunca faria isso à minha ancestralidade mais remota. Festejo com eles cada arroubo, cada frêmito, como se de novo estivesse livre na savana, correndo, encurralando um animal ou espreitando avidamente uma fêmea. Ou um macho!&lt;br /&gt;Quando abrir mão dos meus instintos saberei que estou próximo da morte, como agora, quando fecho para balanço. Mas não me entrego. Deleto essa insuportável dose de reflexão, reservo-a para outros dias. Não vale à pena morrer nessa tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasília, domingo, 21 de novembro de 2004&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-110147936543861774?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/110147936543861774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=110147936543861774' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110147936543861774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110147936543861774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2004/11/internu-motu.html' title='INTERNU MOTU'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9326052.post-110142057528402305</id><published>2004-11-25T19:07:00.000-03:00</published><updated>2004-11-25T19:09:35.283-03:00</updated><title type='text'>Teste</title><content type='html'>Post de teste. Alô, alô. Testando, testando. Um, dois, três.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9326052-110142057528402305?l=docaue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://docaue.blogspot.com/feeds/110142057528402305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9326052&amp;postID=110142057528402305' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110142057528402305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9326052/posts/default/110142057528402305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://docaue.blogspot.com/2004/11/teste.html' title='Teste'/><author><name>Cauê</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18107348277561427379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
